O chamado...

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Re: O chamado...

Mensagem  Convidado em Qua 16 Set 2015, 13:50

Aaron estava despido de qualquer orgulho ou vergonha que pudesse ter. Sim, estava ali diante do altar profano implorando! Clamando! Não para os espíritos malignos que aquela cultura endeusava, mas implorava para que fossem libertos.


Para que tivessem apenas uma chance.

Uma última chance.

Todo o resto estava para trás enquanto ele tocava os pés de Valentina. E, mesmo reconhecendo o “tecido” daquele vestido, ele não a abandonou. Estava sentindo nojo pela situação, mas ainda precisava trazer Valentina para si.

Portanto, como um fiel que implora a uma Santa de tamanho real, Aaron estava, literalmente, aos pés dela, implorando para que ele a ouvisse. Para que ela não puxasse aquele maldito gatilho e colocasse fim a todos os planos e sonhos que eles tinham.

- Você luta contra as Três Irmãs, Tina...Não faça isso com você. Não faça isso conosco...

Ele murmurou antes de se engasgar com o próprio choro.

Começou a ouvir a voz de Victorine ecoando pela nave da igreja, falando em russo. Não entendia absolutamente nada, mas uma pequena olhada para trás permitiu que ele visse o que ela estava fazendo.

- Victorine... – Ele murmurou. – Não...

Aaron era apenas um e não tinha como largar Valentina para correr atrás de Victorine. Até porque, ele nem sabia se seria capaz de alcança-la, de fato.

Franziu as sobrancelhas e voltou a encarar Valentina. Agora ela o encarava de novo. Era angustiante como aquele olhar reconfortante agora só trouxesse desespero. Ela ia se matar diante dele e Aaron não sabia o que fazer.

- Tina...Não...

O sangue dele começou a engrossar e ele tentava esticar o braço sem causar grande danos.

- VALENTINA!

Mas Victorine alcançou a porta e, mesmo não sendo mais um portal, outra pessoa apareceu junto com uma luz capaz de cegar e aplacar todo o mal.

Aaron se encolheu um pouco e voltou a olhar para trás, deparando-se com...

- Breanna...?

Ele engoliu em seco.

E levou vários socos no estômago e na cara.

Porque justamente Breanna, aquela pessoa que ele prometera nunca mais confiar depois do episodio no Chateau, foi quem os salvou.

Aaron foi domado por um choro convulsivo.

Os joelhos dele fraquejaram e ele caiu sobre o mármore.

Por que?!

Por que ele tinha sido tão intransigente, tão orgulhoso?!

Por que não mediu palavras? Ele estava em fúria, sim, mas ela era um ser humano e antes daquele grande vacilo no Chateau, ela tinha sido a menina tagarela de sorriso tímido e bonito.

A culpa começou a pesar sobre os ombros dele, mesmo quando todo o mal era consumindo, Aaron continuava com seu espirito partido. Porque ele tinha sido extremamente injusto com Breanna e agora recebia a maior prova de amor ao próximo.

A única coisa que trouxe a sanidade dele de volta foi ouvir a pedra rachando logo atrás de Valentina e o corpo dela caindo.

Aaron virou-se rapidamente e se jogou para ampará-la antes que ela se machucasse.

Estava com os olhos fechados, ainda chorando, mas agarrando Valentina em seus braços. Não conseguiu ver o desfecho, ainda se tremendo e se culpando pela forma como havia agido com Breanna.

Mas...Ao sentir a respiração de Valentina, ele abriu os olhos de novo.

Voltou o olhar para ela e a amparou um pouco mais.

Acariciou o rosto da loira com as mãos ainda trêmulas e colocou o cabelo dela para trás.


Por algumas vezes, ele tentou falar, mas não conseguiu. Ele apenas uniu os lábios aos dela, pressionando-o de forma desesperada. Beijou rosto o rosto dela, demorando-se um pouco mais na testa, onde antes estava a arma. E a abraçou para nunca mais soltá-la.

Não sua Prometida...

Sua Valentina.

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Re: O chamado...

Mensagem  Convidado em Qua 16 Set 2015, 14:08

Não estava dando certo.

Não estava acontecendo como o seu pesadelo, mas...O que estava faltando?

Victorine arregalou os olhos ao se dar conta do instrumento necessário para aquela passagem.

O colar.

Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas ela não podia perder sua fé. Se ela ouvisse o estampido do tiro, ela sabia que tudo tinha acabado, inclusive para ela! Abriu a porta para que a luz novamente entrasse e...

Deparou-se com Breanna.

E havia tanta paz ali...

Victorine deixou os ombros caírem, completamente admirada com aquela imagem. As lágrimas escorreram pelos olhos dela, mas ela acabou sorrindo. Sorrindo porque Bree parecia ter encontrado a paz e fora generosa para ofertar a mesma paz àquelas pessoas.

Vickie levou as pontas dos dedos até a ponta do nariz, escondendo os lábios, mas sem machá-los de sangue.

Os ombros dela tremeram e o choro se intensificou enquanto as noivas partiam dali.

Bree era a salvadora.

Mas a que preço?

Esperava que ela não tivesse sofrido muito. Que não tivesse doído. E que ela estivesse feliz.

E Vickie estava, acima de tudo, grata...

Acompanhou bem de perto a retirada das almas. O último gesto foi extremamente simbólico e fez com que o soluço da russa fosse triplo. Até que percebeu o chamado. Victorine virou-se lentamente na direção dele.

Os olhos dela pediam para que ele fosse para a luz, mas o seu coração apertava.

E apertou a ponto de sufoca-la.

Ela prendeu o ar quando ele recusou.

Como se dissesse “ainda não”.

Por que?

E, mais uma vez, ele desapareceu diante dos olhos dela.

Dessa vez, sem as mesmas dores. Mas também, sem nenhuma explicação. Apenas aquela promessa no olhar.

Victorine estava olhando para  o local que ele havia desaparecido quando Lucas se aproximou. Não, ela não o ouviu no inicio.

Até que Lucas disse que havia acabado.

Piscou lentamente e voltou o olhar para o rapaz. Puxou o ar de novo e não entendeu porque ele estava rasgando a camisa até que ele enrolou o tecido em sua mão. Tentou recolher a mão porque não precisava, mas também, porque estava doendo.

Escondeu os lábios, formando um bico.

Quando Lucas terminou, ela baixou um pouco a guarda.

- Obrigada...

Murmurou.

- Obrigada por ter acreditado...

Mas antes que Lucas conseguisse uma resposta sobre o comentário, ela também olhou para Zachary, Diana, Troy. Balançou a cabeça para todos eles, mas os olhos logo se encontraram em Valentina no altar.

Ela ainda estava nos braços de Aaron depois do beijo. Aaron também encarou Victorine e permitiu que Valentina se soltasse um pouco, se quisesse.

A morena começou a caminhar até que acelerou os passos e correu até sua irmã. Já chegou no altar praticamente se jogando nos braços de Valentina e a apertando ao máximo contra o peito. Murmurou para a irmã, em russo.

- Eu te amo tanto, irmã. Eu te amo mais do que tudo. Nem por um momento duvide que eu abriria mão de qualquer coisa pela sua vida. Você é a minha Valie queria.


Escondeu o rosto no ombro dela e apertou o abraço.

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Re: O chamado...

Mensagem  Valentina Zelyaeva em Qui 17 Set 2015, 22:34

Era evidente o esforço de Valentina, para manter os olhos em Aaron, para tentar deixar que as palavras dele fossem o único pensamento de sua mente, o único alimento de sua alma. Mas ao mesmo tempo aquele força mortiz a dominava, a levava.
 
Ele falava das Tres irmãs, as malditas deveriam estar rindo da Dra. Zelyaeva agora, e os olhos já lacrimejavam, ao passo que ela quase conseguia sacudir a cabeça em negativo. Ela não queria fazer aquilo com eles, não queria. Mas nem precisava olhar para saber que Victorine ia de encontro a seu destino.
 
E Valentina só poderia parar aquilo, se ela puxasse aquele gatilho. E Aaron pedia que não, mas o dedo de Valentina já pressionava de leve o gatilho, e ela iria puxar, mas veio o grito de Aaron. E a luz.
 
Os olhos azuis de Valentina, mesmo sempre tão gélidos e tomado da neve, foram invadidos por aquele luz, e reluziram, como um reflexo da mesma.
 
Breanna....
 
Ela surgia e a luz dela parecia tomar conta de tudo, tanto que a mão de Valentina tremia e vacilava, ela já não conseguia apertar o gatilho. E logo o som da pedra se rachando, seguido do da arma, que caia ao chão, aos pés de Valentina, em pouco tempo os joelhos fraquejaram, todo o corpo foi tomado por uma fadiga, e ela simplesmente desabou. Se não fosse Aaron, apara-la, ela cairia em cheio em meio ao altar.
 
E o corpo encaixava-se aos braços dele com perfeição, mesmo trajando aquele vestido...tenebroso, a coroa de flores, já caia ao chão também, e o rosto tombando contra o peito do rapaz, os olhos fechados, a forma como ela havia apagado em meio a tudo aquilo. E sim...ela respirava....
 
O toque ao rosto dela, foi quase um despertar, ela ergueu o mesmo com cuidado, tendo toda aquela perfeição abalada pela forma como os fios caiam pelo rosto, e os olhos estavam tão assustados. Aaron acariciava o rosto dela, e tomava seu cabelo, o arrumando, deixando os olhos daquele azul sempre gélido, mas agora tão retraídos, encara-lo.
 
Os lábios ela ressecados, se abriam um pouco, mas assim como ele, as palavras não saiam, e somente quando sentiu os lábios dele sobre os seus, Valentina foi capaz de acalmar a própria alma, os olhos se fecharam lentamente, deixando algumas lagrimas escorrerem ao mesmo, e ela somente deixou que novamente aquele beijo a trouxesse de volta a vida.
 
E Aaron beijava seu rosto, beijava sua testar, tomava ela como se o medo de perde-la novamente pudesse ser parte dele, Valentina suspirou fundo, e estendeu a mão um tanto ainda tremula, tocando o rosto de Aaron, sussurrou.
 
- Obrigada...
 
Valentina dizia isto, e quase como se os olhos de sua irmã a chamassem, ela tombou o rosto pra frente,  vendo Vickie ali, com cuidado Valentina apoiou-se aos braços de Aaron para ficar de pé, e quando conseguiu equilíbrio, sua irmã já estava a frente dela, Valentina sentia a forma como sua irmã buscou se abraço, seu alento.
 
E ela finalmente teve forças, para deixar os braços envolveram a irmã, como sempre costumava fazer, dando-lhe aquela segurança quase cega, ela a envolveu, e deixou que ela se acomodasse em seu peito, deixando ela tombar a cabeça ao ombro dela, e a apertando de leve, enquanto fazia uma leve caricia aos cabelos de Vickie, os olhos se fecharam e ela pode ouvir as palavras dela.
 

- Nem por um momento duvide que  não somos a mesma vida, Vickie.....
 
O suspiro foi fundo, enquanto os braços puxaram ainda mais Vickie pra si.
 
- Mas um anjo nos salvou.....
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Re: O chamado...

Mensagem  Zachary Mateschitz em Sex 18 Set 2015, 10:29

Zack aceitava a ajuda de Lucas para se levantar.

E logo também colocava Diana de pé.

Ela mais do que prontamente colocava a mão sobre o ferimento.

O sangue escorria profundamente, passando pelos dedos e escorrendo pelo peitoral desnudo dele.

Era possível sentir o contraste do sangue, tão quente e vívido, sob a pele gelada.

Ele não respondia o que era aquilo.

Afinal, você era inteligente demais, Diana, e entenderia rapidamente, não?

Ele se viu sem saída e ia se matar para salvar todos ali.

Assim seu nome não completaria o maldito pacto.

E mesmo ele tendo os olhos banhados de lágrimas que desciam pelo rosto sujo de fuligem, ele não pode deixar de sorrir ao ver a reação dela.

Porque pela primeira vez… Ela estava feliz e chorava por isso.

E sentia-se bem porque… Ele estava certo.

Quão louco era isso?

Ouvia os policiais rendendo os homens e logo ele correspondia ao beijo que ela já tomava.

A beijava com a mesma intensidade que ela o buscava.

As mãos envolviam sua cintura, a trazendo para perto.

Mais uma vez, era como se necessitasse daquele beijo para continuar vivo.

Mas ele estava gelado, Diana.

Seus lábios.

Sua boca.

Estavam muito frios.

Em meio ao beijo ele despencava de joelhos, e ria laconicamente…

Temperatura mais do que baixa.

Sangramento bem considerável.

Bom, era só fazer as contas… Pressão no volume morto.

Hipotermia.
- Estou um pouco… Tonto… Heh...- Ele dizia, ainda com aquele meio sorriso que por muitas vezes a irritava tanto.

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Re: O chamado...

Mensagem  Convidado em Sab 19 Set 2015, 00:01

Então, aquilo seria o fim... ao menos, para um deles: Breanna. A garota que foi gentil com Troy no Luau... que saiu pra comer com ele e quase pagou a conta... a garota que disse que quebraria o braço dele se tentasse alguma coisa. Ela apareceu no local, como um anjo, quase levitando na ponta dos pés e todos aqueles espíritos famintos por algo ruim a seguiram...

O sentimento de agredir Faith, Joseph e Forrest passou. A polícia logo chegava e prendia os "culpados" por aquilo e tudo parecia que ia terminar bem. Troy observou Castle e a outra policial rendendo os dois e os algemando. Ele olhou por cima do ombro e viu Luke enfaixando a mão de Vickie... Aaron e Val se abraçando e beijando... Zachy e Diana num xamego... e pensou.

É, EU TÔ SOBRANDO AQUI...

Era hora de pensar em voltar. Troy não esperou pelos amigos e nem se despediu. Ele saiu da igreja com um sorriso no rosto. O mesmo sorriso tonto de sempre... mas quando cruzou a porta da igreja, o sorriso se transformou num rosto triste e os olhos marejaram. Então, Troy Bateman, o nerd, desabou a chorar. Não porque tudo aquilo havia acabado, mas porque Breanna havia se matado. Se matado para salvar um bando de gente que ela nem conhecia direito. Os outros podiam lidar com a morte de uma forma "vitoriosa", do "finalmente acabou", mas Troy não lidava assim. Ele lidava mais para o lado do "nunca mais veremos essa pessoa", o que era muito duro.

Ele então engoliu o choro e os soluços. Tossiu duas vezes, pois a garganta emperrou com as lágrimas e nariz escorrendo... pegou seu capacete e o colocou. Ligou a moto, mas antes sacou o celular. Viu as mensagens de Faith e Breanna e, quando viu a mensagem da mesma, chorou ainda mais. Começou a digitar uma mensagem para o grupo e principalmente para Breanna... como se ela ainda estivesse viva para receber.

"OI, BREE, É O TROY! NOS CONHECEMOS POR POUCO TEMPO, MAS DESDE QUE BATI OS OLHOS EM VOCÊ, VI QUE VOCÊ ERA UMA PESSOA FANTÁSTICA! EU NÃO ENTENDO PORQUE VOCÊ TEVE DE PARTIR... QUERO ACREDITAR QUE FOI POR UMA CAUSA BOA, MAS TÁ DIFÍCIL. SEUS PAIS, AMIGOS E CACHORRO VÃO SENTIR MUITO A SUA FALTA. EU ESPERO QUE VOCÊ ACREDITE NUM CÉU E, QUANDO CHEGAR AÍ, CONTE PROS ANJOS SÓ AS COISAS BACANAS QUE VIU POR AQUI. O SEU SACRIFÍCIO NÃO SERÁ ESQUECIDO... E NEM PERDOADO. VOCÊ ABRIU MÃO DOS SEUS SONHOS POR UM BANDO DE PESSOAS QUE CONHECEU HÁ POUCO TEMPO... EU NÃO POSSO COMPREENDER ISSO, MAS DEVO ACREDITAR QUE É POR CONTA DA MINHA POBREZA DE ESPÍRITO. ESPERO QUE ESTEJA EM PAZ, ONDE ESTIVER. EU TE AMO.
TROY BATEMAN"


Fechou o celular e começou a guiar para casa. Não iria escrever nada para Faith ali... sabia que ela não devia estar na vibe. Só queria encontrá-la e um consolar o outro em seus braços.

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