Brincando com a Morte

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Brincando com a Morte

Mensagem  Duxhill Faculty em Dom 21 Set 2014, 18:50

Ok Peter, uma coisa você e a Blake tem em comum, são teimosas como duas portas.

Você compra todo o equipamento que julga necessário para desafiar as forças da natureza, aliada a um psicopata apanhador de ruivas que anda por esta Floresta. Ao menos é nisto que você acredita, julgando que vai refazer o caminho onde a Hummer parou e Blake desceu e foi atacada!

Estamos no entardecer daquele dia, o que te garante a sorte de andar facilmente pela floresta em meio ao gelo, e chegar a seu destino. Eu tenho que te dizer que está muito frio e ele te castiga muito, principalmente seu braço ferido, você sente do dobro de dor.
Peter você sabe como ser guiado por uma bússola, então em algum tempo você chegar até o local onde Blake foi arrastada, você vai se ver bem dentro da floresta, cercado de árvores por todos os cantos, com a neve começando a cair mais densa. Seria uma nova tempestade?...

Você segue mais para dentro onde encontra algumas pegadas, e estas pegadas parecem desaparecer em um pequeno caminho feito em meio a floresta. Que leva aonde?...

Talvez você não esteja tão errado em ser tão teimoso...Ou talvez você pudesse ter trazido ajuda, ou ter trago a Aileen, contraindo as leis da fisica e rezando para que ela resistisse, porque você, está muito cansado e ja respira com dificuldade, em breve e muito em breve, você vai precisar se aquecer.

Você segue a trilha e logo se ve diante de uma velha cabana perdida em meio a floresta, a trilha adentra ainda mais a floresta, mas algo chama sua atenção. A Cabana....Tem dois andares...E no segundo andar, tem uma luz acesa, você consegue ver mesmo a janela estando fechado.

Alguém mora nesta cabana?

E agora eu vou fazer valer que seu mental não é tão ruim assim, sua memoria é boa, porque você realmente ficou impressionado com os desenhos...Em meio aquele caderno da ruiva jogado no porta luva da Hummer...Você lembra....Havia o desenho de uma especie de cabana no gelo...mas incompleto....Mas era uma cabana Peter, eu posso te garantir.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 19:07

Peter não demorou a chegar ao hospital e seguir até a loja de caça e pesca. Precisava de alguns equipamentos que já tinha em mente. Um pouco de conforto, um pouco de segurança, bem, era hora de botar em prática tudo o que aprendera. Ali começavam os problemas do rapaz, os menores. Tudo aquilo havia causado um rombo no seu orçamento, estava flora dos planos. O que deveria ser um passeio tranquilo se tornara num total inferno. Felizmente encontrou a maioria das coisas que precisava, deu alguma desculpa qualquer ou enrolou um pouco o vendedor com inverdades, estava se tornando bom nisso. Também, ele nem tratou de ser tão “metido”, ganhara uma boa grana com o que vendera, então, um abraço e seja feliz.

Não, ele não estava errado a respeito de Aileen, ela seria o fardo mais pesado para ele. Essas alturas já estaria completamente inutilizada. Por outro lado os anos de treinamento militar lhe proporcionavam alguns confortos, se é que poderia assim chamar os pontos positivos daquele momento. O frio era seu maior adversário. Mas, agora ele tinha um problema a sua frente. Ao avistar a cabana seu coração acelerou um pouco, um repentino nervosismo.

Ele parou, não tinha porque ser afoito, tanto a noite como os trajes camuflados que encontrara na loja lhe davam uma certa invisibilidade tamanha.
Antes de prosseguir recostou a uma das árvores um pouco afastada, apanhou a panela e a garrafa térmica e despejou um pouco da água muito quente. Depois foi a vez do cantil, com água potável, misturou um pouco dela para não queimar a boca e tratou de beber aquela água para incendiar um pouco sua vitalidade. Água, pura e cristalina, quente o suficiente para reanimar o espírito.

Os olhos estavam protegidos pelos óculos de neve. Acompanhavam a luz, os arredores da cabana, se havia algum tipo de movimentação. Buscava por veículos ou outros tipos de construções menores. Retirou as luvas de proteção do frio e também banhou um pouco as mãos, os dedos numa segunda despejada de agua quente na panela, tornando a protegê-las novamente depois.

Ficaria observando por alguns minutos, escondido, estudando possibilidades.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Duxhill Faculty em Dom 21 Set 2014, 19:19

Muito bem Peter, você ganhou mais alguns minutos de vida, hahahaha.

Você se sente revigorado, de todo modo, o tempo está ficando cada vez mais fechado, em breve vai anoitecer sua visibilidade vai piorar. Não existe qualquer movimento na cabana.

Ela continua ali, parecendo te convidar para entrar, com aquela unica luz acesa.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 19:28

Bem. Peter não tinha como chegar lá chutando a porta, afinal, só carregava uma duvida. Poderia ser uma simples cabana na floresta de pessoas a repousar, ilhadas também. “Hora de usar seu cérebro, garoto...”

Após alguns minutos sem qualquer tipo aparente de sinal de vida decidia se aproximar da cabana. Procurou com cuidado na aproximação mais algum indício de que poderia estar certo. Qualquer coisa suspeita, era, afinal, no que tentava se apegar. A frente da porta ele bateu. Tentaria usar o diálogo. Entrar na cabana pacificamente. Alguma coisa não parecia deixar com que ele suspendesse seus pensamentos sobre “temos um cúmplice aqui”.

Afastou-se alguns passos da porta, na esperança de aparecer alguma alma viva. Tratou também de cuidar para não ficar visível as janelas. Ou seja, quem quer que estivesse ali dentro, teria que vê-lo pela porta mesmo.

Já estava tudo planejado, o sinal de alerta em sua cabeça e a língua afiada. Hora de testar sua lábia, seu comportamento social.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Duxhill Faculty em Dom 21 Set 2014, 19:32

Peter você se aproxima com facilidade na cabana, é estranho mas você não se sente observado ou coisa do tipo. É como se estivesse sozinho ali.


Você bate a porta e ninguém responde, se você tentar abrir vai notar que ela está trancada. Você vai precisar de um esforço extra para arromba-la, ou se você souber abrir fechaduras, me avise.


De todo modo ao chegar mais proximo da porta você consegue ver a janela do que deve dar para a sala do local, e mesmo atraves da fina cortina consegue ver um vulto ali, para ao lado da janela, mas não consegue identificar quem poderia ser.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 19:45

As coisas começavam a fazer sentido? Estranho! Era no mínimo estranho tudo aquilo. Peter reforçou as batidas. Aproximou-se de uma das janelas, não a ponto de ficar a mercê de um doido atravessando ela para pular em seu pescoço, mas para tentar descobrir se estava habitada.

Alguém em casa? Falou num tom mais alto. Tornou a bater na porta. Por favor, só preciso de uma pequena ajuda.

A ideia do pé na porta passava a não ser tão ruim. Estranhou o vulto, uma pessoa de idade talvez, lenta o suficiente para atende-lo tão apressadamente. De qualquer forma a mão foi ao bolso, apanhou o canivete ainda fechado e com o punho cerrado quase pode omitir o objeto.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Duxhill Faculty em Dom 21 Set 2014, 19:47

Peter nínguem parecia lhe responder, quando você aproximou da janela, você pode ver que se tratava de uma garota, não dava ainda para ver muito bem devido as cortinas. Tinha cabelos longos, escorridos, e parecia ali, parada, próxima a janela. Nem sequer um movimento.
E quando você olhou melhor, pode ver meio turvo, a mesinha de centro, o sofá, e tinha outra garota sentada no sofá, do mesmo modo imovel. Usavam roupas de frios, jaquetas, calças, roucas. E tinha esta também o cabelo bem comprido e escorrido. E olhava fixamente para o que parecia ser uma lareira.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 19:59

Tudo bem. Um pisão na porta valeria alguns dias de cana, mas ele não deixaria aquilo passar batido. Ficou frente a porta, focou onde imaginara ser o ideal, o local mais apropriado para botar a porta abaixo e... “Vamos lá garoto. Você não é nenhum estúpido...”

Recuou alguns passos, ainda de frente para porta. Os olhos alternavam entre as janelas tanto do piso superior como do piso inferior atrás de qualquer movimento. E só então voltou a se abrigar na floresta, mas não deixaria a região. Só não seria estúpido o suficiente de entrar estando todos ali alerta.

Seria o ideal, alguém apareceria agora para verificar se Peter realmente havia deixado o local. Buscou uma posição favorável a frente da casa, agaixou-se, abriu o canivete e, embrenhado, pouco afastado, aguardaria alguns instantes para deixar a “poeira baixar”.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 20:19

Deixou que a situação adormecesse um pouco ficando focado em qualquer tipo de reação que a cabana poderia apresentar: nada. Hora do plano B. Ele não conseguiria derrubar a porta a chutes, convenhamos, isso não é Hollywood. Do contrário, soltou a machadinha de mão, algo que teria outra utilidade antes daquele momento, e furtivo se esgueirou pela neve.

Aproximou-se da casa, estava muito nervosos, situações atípicas mas, seu coração parecia falar muito, mas muito mais alto que qualquer outro sentimento de “corre garoto, chama ajuda!”. Aproximou-se abaixado, tentando fazer o menos possível de barulho que poderia e seguiu até a janela onde antes encontrara as duas garotas. Espiou para ver se ainda estavam lá, se pareciam pelo menos vivas, se aquela imagem de estátua já mudara.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Duxhill Faculty em Dom 21 Set 2014, 20:27

Peter não ocorreu qualquer movimento na casa durante todo este tempo, era como se não tivesse ninguém lá.
Você se esgueira com facilidade e logo se aproxima da janela, não existe qualquer movimento das duas garotas, elas permanecem na mesma posição, a porta pode realmente não ser seu forte. Mas você nota que se quebrar o vidro da janela, consegue abrir a tranca por dentro e facilmente entrar.
Você arrisca?

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 20:34

As chances de Peter ser o elemento surpresa agora favoreciam para sua investida, e as duas garotas paradas, imóveis, eram a certeza de que algo cheirava muito mal naquele local. Parou ao lado da janela, virou a machadinha de costas e sem pestanejar arremeteu contra o vidro. Era a única forma de acesso que teria, demoraria demais para levar a porta abaixo e a preocupação não podia perder tempo. Tão logo quebrou a janela já buscou uma maneira de destrava-la por dentro, abrindo-a na sequencia, no erguer do vidro que restara, arrancando a fina cortina num puxão brusco. Olhou as duas primeiro mas logo tratou de buscar mais algum tipo de vida ali dentro. Se é que estavam vivas...

A machadinha era presa a perna, no seu suporte, tornava a empunhar o canivete militar como arma. Se a barra estivesse limpa, entraria, do contrário, dificilmente faria outra ação. O coração estava acelerado. A mochila fora deixada na floresta, aquele peso da mesma não auxiliaria ele de nada.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Duxhill Faculty em Dom 21 Set 2014, 21:00

Ok Peter, você quebre o vidro, aquele barulho alto do vidro se partindo, e logo você esta dentro da cabana. Você passa pela janela e ao entrar fica bem de frente a menina parada a janela. O seu rosto tão próximo do dela, consegue ver com perfeição os detalhes.


O rosto delicado de boneca, extremamentepálido e sem qualquer tipo de marca, o nariz pequeno levemente empinado, as sardas a face, a boca fina e rosada. E então os olhos. Abertos, totalmente vítreos. Encarando o nada, sem o mínimo de vida dentro deles. Era como olhar para duas bolas de vidros. Os cabelos escorridos e louros quase brancos.


Ela era como...uma boneca!


Uma perfeita boneca, com traços únicos, que so poderia ter sido tirados de uma menina...viva?.


O mesmo acontecia a garota no sofá, esta era morena, de olhos grandes e azuis em muito podia te lembrar Aileen, mas estava la, com os mesmos olhos vítreos da outra, com a mesma certeza de que nada vivo estava ali.


Você podia ver na pequena cozinha ao lado da sala, uma garota de cabelos longos e escorridos, estes castanhos claros, sentada de costas a você. E outra próxima ao fogão, com a mão sobre uma chaleira. Ambas tinham o mesmo aspecto da outra.


E todas chamavam a atenção, eram jovens, bonitas, brancas, de olhos claros, e cabelos compridos.


Você agora podia voltar para sala e tinha a escada que subindo, certamente levaria ao quarto, onde a luz estava acesa.


tipo isto: http://wp.clicrbs.com.br/holofote/files/2010/10/est%C3%A1tuadestaque.jpg

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 21:13

No mesmo instante que Peter bateu os olhos nas “bonecas”, a palavra “veneno” veio até sua cabeça. Elas pareciam bonecas, mas os olhos, pareciam tão reais. Talvez algum tipo de toxina as mantinham assim, em perfeito estado de conservação. Era um pouco assustador, ele não tocaria ela de forma alguma ainda que tivesse as luvas para não deixar digitais. Subiria as escadas, lógico, mas não sem antes, mantendo cautela, passar pela cozinha, para conferir as demais possíveis bonecas.

Os sentidos estavam todos aguçados, tentava captar alguma ruído, algum gemido, estralo, qualquer coisa que fosse capaz de identificar que ele não estava sozinho.

Esgueirando-se, com o canivete em punhos, a frente do corpo, pronto para um bota, ele foi entrando sorrateiro no que parecia ser a cozinha da cabana. Ali os olhos passariam rapidamente atrás de qualquer informação privilegiada, mas principalmente das garotas ou bonecas, buscando confirmar sua suspeita.
Vez ou outra alternava olhares para outros lados da cabanas, tentando evitar ser pego de surpresa por alguém a espreita.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Duxhill Faculty em Dom 21 Set 2014, 21:24

Peter as garotas tem olhos muito reais para serem simples bonecas.
 
Sim talvez agora você saiba porque nosso amigo usa o Veneno, e porque ele não matou Blake, não é a intenção matar do veneno, e sim diminuir os sentidos, torna-las...BONECAS?....
 
Você subia a escada e logo estava diante de um pequeno quarto. A Luz estava acesa. E havia uma garota deitada em uma espécie de divã, era lindíssima, de cabelos longos também, sempre longos, estes de cor loura dourada, os olhos azuis vítreos, focados no nada. Usava uma camisola de cor negra, ressaltando os seios fartos, a mesma era curta, denotava uma sensualidade fora de medida.
 
Se você achava nosso amigo sacido, multiplique isto agora, ele pervertido também. Havia outra “boneca” a cama, esta completamente nua, coberta da cintura para cima com o lençol de seda na cor vermelha, os cabelos negros caiam sobre os seios os cobrindo, e os olhos verdes estavam la, vítreos, mas reais.
 
Seis bonecas já Peter...Estamos falando de um louco serial killer, e você está no covil dele. Lembre-se disto.
 
E então você escuta uma batida alta, como se algo batesse ao chão. Mas não foi da sala, foi mais para baixo.
 
Um porão?

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 21:33

É, foram exatamente os pensamentos de Peter a respeito de tudo aquilo, o coração quase poderia saltar do peito, não fora preparado para aquele tipo de situação, a mão buscou no âmbito a vontade de tremer, mas ele aguentou no osso, ficando com o canivete sempre em guarda alta.

Em meio a tantos olhares Peter sentiu um pesar ainda maior: Aileen. Certamente faria o perfil ideal para o psicopata. E, se fosse o taxista? Imbecil, por que deixou ela sozinha? “Não, cara, relaxa. Seria a última coisa a acontecer...”

De súbito o coração palpitou mais forte, ao ouvir aquele ruído. Voltou os olhos para a escadaria, abaixou o corpo e correu os olhos para a sala debaixo. Não havia ninguém. A primeiro momento não imaginou ser o “vilão” da história. Ou, se fosse, não teria percebido Peter entrar, talvez, descuidado derrubando alguma coisa. O fato era que o rapaz tornava a descer as escadas, passo a passo, lentamente, buscando manter o máximo de sigilo ali dentro.

Tentaria seguir o barulho, sua natureza não permitiria fazê-lo correr sendo que poderia ser alguma garota precisando de ajuda, aquilo o encorajara.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Duxhill Faculty em Dom 21 Set 2014, 21:41

O som podia ser ouvido de novo, desta vez mais alto, era como se algo ou alguém batesse com força contra o solado do porão la embaixo.


Portanto não é dificil você erguer o tapete da sala, e logo ver a porta do porão. E não esqueça que as meninas na sala estão sempre com aqueles olhos vítreos em você, é uma sensação horrível.


Você abre a portinhola, e logo descer as escadas, está tudo escuro la fora, apenas uma luz tosca entre pela fresta de uma pequena janela, e então você consegue ver no mesmo momento que o barulho se faz novamente.


Uma garota sentada a um dos cantos do porão. O restante está totalmente escuro, você consegue ve-la porque ela está sentada proxima da luz. No momento que você desce os olhos verdes estão sobre você Peter. E você os reconhece com facilidade.


Os cabelos vermelhos ressaltam-se naquela pouca luz. Blake esta sentada a um canto, as pernas esticadas, da pra ver que tem uma espécie de algemas so que mais grossas, presas as canelas dela, com corrente que se prendem ao chão, ela tem o minimo espaço pra puxar. Assim como nos braços, que estão caidos ao lado do corpo, a mao ainda envolta na luva com os dedos furados, mostra o que é o barulho. Uma caneca provavelmente de agua que ela estava batendo para chamar atenção.


O rosto da ruiva está com muitos hematomas, o que indica a sempre teimosia dela. E sabe porque ela não grita Peter? Porque tem uma linha costurando a boca dela, passando de cima pra baixo, em zigue-zague, onde os lábios ainda sangram.


Assim que ela ve você, os olhos se abrem mais, as pernas também possuem ferimentos nos joelhos, provavelmente de ser arrastada.


Você também vai ver proxima uma mesa, e do lado uma prateleira, cheia de vidros de cera, e objetivos de cirurgia.


Parece que a proxima boneca ia ser ruiva.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 21:59

Os ruídos realmente vinham do porão. Outrora meio baixos meio baixos, parecendo ganhar mais vida em determinados momentos. Peter puxou o tapete sempre calmo, não sabia o que poderia esperar daquele local, afinal.

Novamente teve o cuidado de olhar ao seu redor, aqueles olhos pareciam implorar por alguma coisa, algo de Peter, chegava até a... doer, machuca-lo. Só então recorreu a portinhola, abriu-a cuidadosamente e passou a descer a escada, sempre abaixado para ter o mais rápido possível a visão do ambiente. Primeiro vira a mesa, os objetos cirúrgicos, aquela cena de terror. Mas o baque maior veio quando aqueles olhos lhe fisgaram. E... Aquela imagem em retalhos. Algo deveras horrível. A reação de Peter seria correr até ela, desesperado na busca por liberta-la mas, não... Ele se manteve alerta, furtivo, um dos melhores alunos da escola militar. Também queria passar para ela a imagem de que “ela não estava tão ruim assim”.

Por dentro, ele agonizava. Tinha que ser forte, tinha que resistir aquilo. Mas... Tinha que encontrar o monstro que estava por trás disto também.

E foi assim que Blake pode perceber um “Peter” diferente. Alguém que parecia saber o que estava fazendo. Até, frio e calculista. Os pés chegaram ao piso firme, não havia mais ninguém ali, aparentemente, esgueirou-se pela parede para se certificar. Também não seria tão simples liberta-la das correntes. Precisava das chaves, onde estariam? Maldição...

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Blake Harris em Dom 21 Set 2014, 22:09

Blake olhava Peter sem entender porque diabos ele agia daquele modo. Desculpa se não consigo pensar agora Peter que é uma estratégia fria e calculista sua para não ser pego de surpresa. Acho que você andou demais com o Noah.

Blake bateu então o caneco que estava a mão com força ao chão, e cerrou os olhos. Porque queria que ele se aproximasse, não havia ninguem na cabana. Ela ouviu o barulho da porta quando aquele animal foi embora. Ele deveria voltar a noite, ou seja logo.

Mas não agora...Se não doesse tanto eu falaria....Mas doi....já doeu antes....e ele costurou de novo, mas você vai fazer eu passar por isto não é Peter?...

Enfia seu auto controle no rabo! E então ela erguia os olhos ao ceu e fechava eles com força, enquanto forçava os lábios a se abrirem, ganindo de dor, enquanto uma das linhas estava prestes a estourar já, e nem preciso dizer o quanto isto doi e rasga a pele Peter.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 22:22

É, talvez desviar os olhos dela tenha sido a melhor opção. Ele não pode perceber a atitude, a tentativa de falar e, quer saber? “Foda-se ruiva! Não está em condições de negociar ou impor através da violência suas rebeldias! Ou fazemos do meu jeito, ou você apodrece aí, ‘boneca’!” E não, não iria ceder ao sadismo da “maluca”.

Quando certificou-se que estavam a sós Peter seguiu até a mesa com objetos cirúrgicos e apanhou um bisturi. Sabia a facilidade que teria em romper a linha que estava costurada nos lábios da ruiva.

Hey, hey! Calma... Está tudo bem agora.

Não, não estava. O olhar dele denunciava aquilo. Estava com medo, ela podia perceber isso tranquilamente mesmo se o seu mental fosse quatro. Rompeu a linha e com cuidado foi removendo a mesma. Passou a manga do uniforme militar para limpar um pouco do sangue e continuou.

Vamos com calma, Blake. Vamos com calma... As chaves, onde ele colocou? Falava baixo, óbvio, as mãos iam aos tornozelos dela, examinava a fechadura. A maneira como estava presa. E, claro, pela imagem da boneca despida sabia que o delinquente era um homem.

Tentou usar o bisturi para abrir a fechadura: não era a sua. Talvez com alguma sorte. Blake pode perceber que Peter ainda tinha muito cuidado, os olhos sempre fixos a escada. Atento também a qualquer ruído atípico.

Ergueu o corpo e correu os olhos na busca de algum molho de chaves, aproximou-se da mesa de cirúrgica, vasculhava-a. Quem sabe...

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Blake Harris em Dom 21 Set 2014, 22:34

Blake já ia soltar na força mesmo, ela tinha que dizer algo a Peter. Algo que ia muito além da teimosia dela, da briga deles, do fato de sempre um querer matar o outro. Ela observou ele se aproximar com o bisturi e parou, deixou ele soltar seus lábios, e logo limpar o sangue.


E nem adiantava ele falar nada, ela sacudiu a cabeça em negativo.




- Cala a boca Peter! E me escuta...


Os olhos iam sérios para ele. E logo os olhos foram a outro canto escuro da sala, e depois a ele.




- Você precisa levar ela...


A mãos com a algema ia até a gola da blusa dele, e ele sabia que ela queria que ele a ouvisse com atenção.


- Ela não vai aguentar muito tempo, aquele sádico estava....- Ela suspirou fundo e fechou os olhos engolindo a seco, e logo voltou a abri-los o encarando.





- Por favor me escuta, você precisa levar ela e sair daqui, pedir ajuda...Ela não vai aguentar mais muito tempo, está aqui a muito tempo, sendo torturada, perdeu muito sangue...as pernas dela....



As lágrimas caiam com facilidade agora. E ela parecia arrumar forças para continuar.




- Você viu meus desenhos, você sabe...você sabe que eu aguento...Você precisa levar ela....


Sim Peter eu sei que você viu meus desenhos e em outro momento eu estaria puta com você, mas agora estou feliz, porque sei que você já imaginava tudo que passei e estou aqui, nenhuma outra pessoa no mundo talvez aguentaria estar ali, e esperar...e arriscar. Mas eu aguento.


- Talvez tudo que passamos até agora, as brigas, os momentos ruins, talvez...nos leve a este exato momento Peter...Onde nós fazemos algo bom...


Ela dizia em tom meio nervoso, com os lábios machucados trêmulos. Abaixou um pouco o rosto e sussurrou.


- Você precisa ir logo, ela vai conseguir, você também, você chama ajuda, eu vou esperar...Vamos conseguir, eu sei...


Dizia enquanto erguia o rosto e focava os olhos verdes nele, e esta era a cor da esperança Peter.


E você vai ter que escolher. Porque quando for pra o outro canto vai ver uma garota, ao chão, mas sem algemas. Ela esta semi-morta, é a verdade, as pernas já tem aquele aspecto de cera, mas ela ainda respira, ainda existe vida nela.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 23:00

Não Blake, você não podia fazer aquilo com ele, coloca-lo numa situação daquelas era como cravar um punhal nas costas do rapaz. Peter levou a mão a cabeça, na testa, caminhou de um lado a outro enquanto ela falava e seguiu até a outra menina para conferir se realmente o que ela dizia fazia algum sentido. E, estava certa... De súbito Blake pode ver Peter erguer o corpo, e logo se colocava a correr pra fora do porão, sem ela, sem a menina... Subiu as escadas de três em três degraus, o punho tremia, segurando ainda mais firme o canivete, logo estava no primeiro andar, teria de usar a janela novamente. A porta estava trancada.

E foi num movimento rápido que saltou a janela. As passadas pesadas levavam Peter até onde deixara a mochila, trazendo está para as costas e retornando num passo tão rápido quanto os que o fizeram sair.

Blake pode vê-lo então descendo as escadas, novamente. Deixou a mochila ao chão as pressas e abriu-a, retirando um dos kit salva-vidas. Tentou prestar os primeiros socorros a menina machucada. Não era muito bom com aquilo, tentaria estancar algum possível sangramento com as gaze, limpar algum ferimento com os remédios, para sentar a menina recostada a parede.

Logo depois era a vez de cuidar da ruiva, limpar os lábios dela com algo puro, verificar algum ferimento mais sério. Passar algo no rosto para torna-la mais apresentável.

As chaves Blake, você viu onde ele as largou?

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Blake Harris em Dom 21 Set 2014, 23:10

Peter, nós estamos nesta situação, nós estamos juntos nesta merda toda, desde o dia que você resolveu para a Hummer, desde o dia que você entrou na minha vida, então foda-se. AGORA AGUENTA.

Você não viu meus desenhos? O que esperar que iria me acompanhar? Felicidade? Ternura? Hahahahaha, CHEGA A SER ENGRAÇADO. Eu sou como o Inferno Peter, me desculpe, mas quando mais você se aproximar, mais perto do desespero vai ficar. Eu fui moldada para isto, não existe paz aqui...só dor....

Os olhos verdes seguiam ele em desespero, sem saber o que ele ia fazer, e de súbito ele corria do porão.

- PETER!

Blake gritava porque não daria tempo, aquela menina ia morrer eles eram a esperança dela. Peter você vai ter que ser homem, vai ter que segurar esta.

Não existia primeiros socorros para aquela menina Peter. Ela precisava de hospital, de uma cirurgia que tentasse recuperar suas pernas, ela precisava de cuidados que você não saberia dar. Me desculpe Peter, mas o tempo está correndo.

Você encosta nela e a perna dela se mexe, e ela grita, grita em desespero e dor. E você logo percebe, que sentar ela não é uma boa opção, e se for pra mexer com ela Peter, vai ter que ser para tirar ela dali.

E então ele voltava a se aproximar de Blake, e ela batia com força a mão fechava contra o peito dele e gritava com ele.

- Você está me ouvindo?....Peter!!!

Ela empurrava a mão dele que estava próxima a boca dela, não deixando ele limpar, e as mãos iam ao rosto dele, e sacudiam ele, como se quisesse que ele a ouvisse, e eu te juro Peter que ela nunca esteve tão próxima de você e com tanto desespero. As mãos tremiam.

- Ele leva as chaves....

Finalmente ela dizia. E continuava.

- Peter....Se você não levar ela, ela vai morrer. Eu posso aguentar mais, eu posso continuar, não é a primeira vez....- As lagrimas saiam com mais facilidade agora.

- Por favor eu não posso conviver com isto, você precisa salvar ela, eu estou te implorando Peter...eu NUNCA pedi nada a ninguém, eu nunca esperei nada de ninguém, eu nunca desejei nada de ninguém...

A mão apanhou a dele de modo quase brusco e colocou contra o próprio peito dela, o coração estava acelerado.



- Eu estou te pedindo com meu coração, que leve ela, que de a ela uma chance de viver, de ter uma boa vida, de ainda ter sonhos, de poder acreditar que algo de bom ainda vai acontecer, e vai mudar tudo, e vai afastar todas as sombras.

Porque eu já não acredito...

- Não negue isto a ele Peter...Não nega isto pra mim....

Blake Harris

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Dom 21 Set 2014, 23:30

Talvez se Peter tivesse as habilidades de Noah ele poderia fazer algo para ajudar a ambas. Mas ele fora criado de forma diferente, sua vida tomara um rumo totalmente diferente... Ele não podia salva-la e cada novo grito de dor parecia açoita-lo como navalhas rasgando sua alma. Logo começava a chorar. Peter ouvia Blake falar, e a menina urrando de dor. Sua cabeça estava explodindo, seus pensamentos estavam definhando sua existência. Não podia com tudo aquilo, era uma pressão muito, mas muito mais forte que o próprio acidente que passara, como queria toda aquela dor física em substituição daquele momento... E foi em meio a um soluço, enquanto mexia nos pulsos de Blake na tentativa vã de encontrar um elo fraco para solta-la, que a voz saiu amaldiçoada em tristeza:

Não torne tudo mais difícil...

O corpo de Peter sentou-se, de lado, ao lado dela, quase numa queda. A menina o olhava, repleta de dor, repleta de tristeza. Os olhos pediam ajuda, pediam que ele ouvisse a Blake. Ele sabia que não seria capaz de salva-la... Ele tinha certeza de que não poderia fazer aquilo. As lágrimas desceram mais rápido e, de joelhos ele foi se aproximando da garota:

Me perdoe... Me perdoe...

Abraçou-a, ainda recostada a parede e atravessou o peito dela com o canivete, fazendo-a silenciar no mesmo momento. Ficou mudo. A mão trêmula sentindo o sangue espirrando esvair entre os dedos. Não tinha tempo. Não podia salva-la. Mas, que tempo? Viu-se diante de um nada. De um vazio. Parecia vagar num vácuo. Abraçado a menina, com o “punhal” a vitima-la.

Duas vidas que nunca mais seriam a mesma.

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Blake Harris em Seg 22 Set 2014, 11:21

Blake observou em silencio o desespero de Peter, as lagrimas que caiam dos olhos dele, e logo ele soltava os punhos dela vendo que não dava para tirar ela de lá.
 
Mas Peter, não é pra me tirar daqui, é pra tirar ela.
 
E aquela frase fez o coração de Blake parar com alguns instantes.
 


- Peter...
 
Observou ele aproximar-se da garota, engatinhando pelo assoalho, e logo Blake pode saber o que ele faria, a mão envolveu a corrente e ela puxou com força, tentando se soltar, se debatia.
 


- Peter não!...Peter!
 
Gritava em vão.Ele já envolvia a menina e logo o canivete atravessava o peito dela. Blake ficava assistindo aquilo atônita. As mãos caiam contra o próprio colo, e os olhos verdes ficavam fixos naquela cena.
 


A menina gemia de dor, mas suas ultimas palavras foram juntas de seu ouvido Peter e elas diziam: “Obrigada”.
 
Blake ficou exatamente do mesmo modo que Peter a deixou, imóvel, encarando-o. Era quase como se estivesse em choque, ou se perdesse todo aquele vigor e esperança que antes haviam nas palavras, palavras que você simplesmente ignorou Peter. Ele havia lhe negado o único pedido que tinha feito a alguém durante toda sua vida.
 
Eu nunca precisei de ninguém Peter....
 
Então ela somente ficou encarando o corpo sem vida da menina e o desespero de Peter. Com os olhos parados, vítreos.
 

Viu?...Existem muitas formas de “criar” uma boneca. Você acabou de criar uma ruiva, Peter. Não somos tão diferentes assim, hm?

Blake Harris

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Re: Brincando com a Morte

Mensagem  Convidado em Seg 22 Set 2014, 14:16

Peter sussurrava alguma coisa ao ouvido da menina morta em todo o processo de deita-la, enquanto o corpo da mesma ia suspendendo lentamente, sem vida, com o auxílio do rapaz que não a deixara simplesmente cair. Deitou-a, o rosto encostado ao dela, ainda falando, baixo... Baixo suficiente para que Blake não pudesse entender qualquer palavra, e permaneceu falando com ela mais alguns instantes, enquanto o corpo estava por sobre o da vítima. Retirou o canivete do peito dela numa única e fria puxada: seria muito menos tortuoso apesar de aparentar mais violento.

O corpo foi se afastando do agora cadáver enquanto os olhos encaravam os da vítima arregalados, ainda que sem vida. Como se seu último suspiro de vida também fosse a surpresa da atitude do rapaz. Mais uma imagem que ele jamais esqueceria. Numa atitude vã de limpar as lágrimas do rosto, passou as costas da mão nos olhos e deixou um borro de sangue no lugar: a luva estava encharcada.

Ignorou, realmente, qualquer palavra de Blake que não estava em condições de reação, de tentar impedi-lo, limitando-se apenas a registrar a triste cena. Passou então a mão no rosto da menina, depois de tudo, cegando seu olhar mórbido. Quando se colocou de pé o sangue ainda gotejava da mão, numa intensidade fraca... Na verdade, nem ele exatamente sabia o que sentia agora. O nervosismo todo sumia, o medo, parecia outro cadáver. “Ok, voltamos aos mortos-vivos ruiva. Como no primeiro dia em que nos vimos”.

O rosto estava baixo, ele era silencioso agora, mais do que toda sua furtividade durante o reconhecimento da cabana. Recolheu a lâmina da arma branca e guardou-a, suja, num dos muitos bolsos da calça. Seu uniforme agora não poderia mais camufla-lo tão bem quanto antes. Tinha o peio, abdômen, coxas, em um mar de sangue. O pulso da mão direita, que fizera a vítima também. E o próprio gesso ao braço, próximo a outra mão também fora manchado.

A mão sabiamente então foi até o machado, preso ao seu suporte, junto da perna. Quando se virou para Blake, ela podia ver o rosto com o borro de sangue da garota. Peter afastou os pés dela para o lado oposto ao que desferia agora alguns golpes contra o piso. Não eram necessários muitos para fazer a madeira rachar com facilidade: cabana velha, amigo. Da mesma forma, com cuidado, arremeteu contra o ponto onde as correntes a prendiam na parede. Ela estaria liberta... Ele calado, unicamente preocupado em apanhar o que sobrara do kit salva-vidas, guardando na mochila.

Não daria nenhuma ordem, a voz simplesmente não saía. Esperava que pelo menos ela o seguisse, e foi assim que tomou o caminho das escadas pela última vez, e logo a janela, pondo-se em exposição ao frio intenso. A mochila as costas e o machado em punho.

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Re: Brincando com a Morte

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