Toda perfeição é um defeito...

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Toda perfeição é um defeito...

Mensagem  Valentina Zelyaeva em Dom 21 Jun 2015, 10:40

Toda perfeição é um defeito.

Valentina saiu da sala de cirurgia deixando as luvas e a roupagem medica ao local de lavagem, e logo os passos a guiaram ao corredor, pegando o elevador de dentro do PS, ainda não ia até a Sala de Espera das noticias a Aaron.

Muito menos ia até Edge, embora ele fosse acordar em breve, e seria ela a portas as noticias.

Boas ou ruins.

É sempre assim....

Não demorou a entrar em sua sala, após algum tempo já estava limpa e trocada novamente, nenhum vestígio de sangue, nenhum vestígio de dor.

A perfeição.

A perfeição dos olhos azuis que encaravam a própria mesa, enquanto o corpo ereto ficava em frente a ela. E lá estavam os flocos de neve, fechando tudo.

Trancando-se em si mesma, como fizera a vida toda.

O rosto estava já limpo, e tinha alguma maquiagem, os olhos ficavam vidrados a papelada sobre a mesa, como se ela fosse importante.

Mas não era.

Nada parecia importante.

Usava um vestido de cor negra acinturado. O mesmo tinha uma blusa negra mais folgada, dando um tom mais social, e a parte de baixo, era uma saia que colava-se ao corpo, denotando as curvas, e as pernas da garota. Os cabelos estavam presos em um coque ao alto, alguns fios beijavam a nuca, e o batom era cor dos lábios, os braços estavam caídos ao lado do corpo, havia algumas delicadas pulseiras de ouro ao mesmo, e o brinco era um clássico da Tiffany. Uma delicada pedra de marfim. Os sapato eram mocassins de cor preta, da Manolo.

O perfume como sempre era discreto, somente muito próximo para sentir. E se aproximar era uma tarefa árdua.

Diferente da terna irmã. Valentina era fechada, era extremamente controlada, raramente denotava alguma emoção ou sentimento, e não parecia algo forçado, era algo inerente a ela. Era russa e tivera uma educação rígida, uma pressão para sempre ser a melhor.

E ao final das contas, agradecia ao pai por isto.

Tornou-se a melhor em tudo.

Mas como uma pessoa que é a perfeição consegue conviver consigo própria? Com as pressões, com os problemas, com a forma como toda responsabilidade do mundo sempre pendia em seus ombros?.

Como aqueles olhos gélidos nunca perdiam seu gelo, e aquele corpo nunca perdia a postura, e aquela mulher nunca fraquejava?.
Valentina caminhou pela própria sala, quase como se estivesse um tanto perdida dentro do próprio espaço, até que finalmente caminhou para trás da própria mesa e sentou-se a cadeira, apoiou o cotovelo a mesa, e a mão delicadamente tomou o queixo, e ficou ali, enquanto o olhar abaixava um pouco a gaveta a mesa, que era fechada por uma painel com código.
Segredos...segredos...

Todos temos um, não é mesmo?

Estavam todos desesperados lá fora, todos sem rumo, sem base solida, apenas aguardando que ela fosse dar as noticias. Apenas aguardando que ela fosse perfeita.

Que ela não vacilasse um segundo sequer, e apenas falasse o que precisava ser falado, e sentisse o mínimo do que faria sentido sentir.

Ela suspirou fundo e desencostou o cotovelo da mesa, apoiando os pés ao chão, deslizou a cadeira para trás, e logo a mão foi ao painel, os dedos digitaram rapidamente o código e a gaveta deslizou se abrindo, a mão tocou alguns vidros dentro dela, como se escolhesse, e os olhos ficavam fixos aqueles vidros, a porta da sala ela havia trancado devidamente.

Então ela podia fazer o que precisava fazer.

O que ela tinha que fazer para ser a base forte.

Apanhou um vidro a gaveta, e os olhos azuis encararam as pílulas la dentro, ela logo o abriu e bateu a palma da mão.
Duas, Quatro, Seis...O que importa?

Levou a mão espalmada aos lábios e logo deixou os compridos a boca, ergueu o rosto ao ar, e engoliu tudo, em seguida, deixou o vidro a gaveta, e fechou a mesma, enquanto, apoiava agora os dois cotovelos a mesa, e unia as mãos ao alto, recostando o queixo ali, os olhos vidraram-se ao nada.


- Não podem mais me atingir...

Era tudo que dizia, antes de erguer-se da cadeira, e apanhar seu jaleco medico, vestindo-o por cima do vestido, e logo abrindo a porta da sala, deixando a mesma, enquanto os saltos ecoavam pelo corredor.

Toda perfeição é um defeito.

E quem expõe seus defeitos...certamente não vai sobreviver aquele mundo.
 

Roupa
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Valentina Zelyaeva

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