Primeiro dia.

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Primeiro dia.

Mensagem  Sean Memphys em Sab 04 Jul 2015, 10:32

Os acontecimentos da noite anterior ainda incomodavam.

Primeiro porque ainda não entendia Castle e sua insistência em dizer que o caso não era meu.

Tive vontade de lembrá-lo que eu não era um agente, e sim um trainee. Quis falar que eu queria ser um perito, e não um agente de campo como ele.

Mas, apenas disse “Sim senhor”, e dei meu depoimento, ratificando o imaginário homem de capuz e jeans que contei aos outros alunos.

Finalmente me deixaram na Omega, onde meu carro tinha ficado pela manha. Um Mazda CX-5 usado, o qual eu havia negociado pela internet. Por coincidência era um conhecido do meu pai, que me garantiu que o carro estava bom.

E pelo pouco que vi no estacionamento, apesar de o carro ter uns três anos de uso, ele estava ótimo.

Como novo.

Depois de um banho e de dormir, acordei mais cedo que a maioria da casa e que meus companheiros de quarto.

A noite foi péssima, cheia de pesadelos e eu acordei suando frio várias vezes.

Após um banho e um rápido café, e de dar comida para um cachorro de rua que estava circundando a casa, finalmente era ora de estrear o novo carro e estágio. Como era possível trabalhar em dois lugares ao mesmo tempo? Provavelmente eu vou ficar louco, pois ainda preciso de tempo para estudar.

E talvez investigar.

A insistência de Castle me deixou incomodado.

Talvez eu devesse…

Bom, não importava agora.

Eu precisava tirar aquela cena da minha cabeça e seguir em frente.


O Mazda preto estacionava em frente ao hospital.

Após descer, Sean fazia um rápido tour com a enfermeira Anette, o qual lhe mostrava a maior parte do hospital.

Mas o que mais importava era minha sala.

Ela era afastada de tudo, bem isolada de todo hospital, apesar de ficar no mesmo rumo das demais salas.

A sala era bem ampla, e ao mesmo tempo me passava uma sensação claustrofóbica.

Por possuir um pé direito alto, haviam feito um mezanino bem pequeno, que cabia no máximo uma pessoa, e rechearam a parede de livros.


Aparentemente eu havia ganho uma biblioteca particular, ao menos enquanto estivesse ali

Havia até uma lareira elétrica, e as cores… O dono anterior daquela sala tinha um costo bem peculiar.

Passava uma sensação aconchegante, ao menos para mim. Não pretendia mudar nada nela, em absoluto.

Até porque eu esperava um quartinho minúsculo ou um consultório frio.

Agradeço formalmente a Anette e me sento na mesa.

Não esperava por consultar hoje, então era só passar o horário…

Apanho meu caderno de desenho na valize e as canetas de desenho, presas na capa de couro.

E passo a desenhar assim que me vejo sozinho.

Pouco a pouco, a silhueta de Olivia ganha vida.

Com todo aquele cenário.

Talvez se eu colocar tudo pra fora, a imagem saia da minha mente.

Talvez.
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  NPCs - Apoio ao Mestre em Sab 04 Jul 2015, 17:31

Ou talvez você acabe atraindo algo mais...intenso, Sean.

Você passou uma boa hora desenhando, para que aquela imagem saísse de sua mente. Provavelmente todas as emoções percorriam por seu corpo de novo. Todas as...sensações. O cheiro, o calor, os olhares, a excitação.

O telefone tocaria para assustá-lo e tirá-lo de seu transe.

- Sr. Memphys.  –  A secretária dizia. – Existe uma paciente aqui fora. Não está agendada, mas gostaria de saber se era possível um encaixe. Posso permitir que ela entre?

Sabe aquele momento quando uma decisão pode mudar completamente a sua vida? Ela está acontecendo agora, Sean. Porque depois que você permitir a entrada dessa nova paciente, nada será como antes.


Uma vez a entrada dela sendo permitida, talvez você não fosse acreditar no que seus olhos viam.

Com diferenças pontuais, a mulher que entrava com passos decididos era...Olivia.

Ou melhor, alguém muito parecido com ela.

Afinal, pelo pouco que você tinha conhecido de Olivia, podia perceber que ela era uma pessoa quente, iluminada. Uma pessoa cheia de vida e energia, que gostava de fazer piadas e deixar o ambiente contagiante.

A mulher que entrou em seu consultório era extremamente bonita.

E fria.


Era como observar uma escultura perfeita de uma deusa, mas não encontrar nenhuma emoção em seu olhar. Era como se houvesse uma constante e densa neblina. Era bastante óbvio que havia algum problema com aquela moça. Afinal, ela está procurando a ajuda de um psiquiatra, certo?

Mas não era apenas o mistério que machucava o coração.

O mistério atiçava também.

Porque havia algo no jeito dela andar e de se portar que era uma mistura de anjo e demônio. O que você acha que ela é? As duas faces do bem e do mal? O bem? Ou o mal?


Depois que abriu a porta para recebe-la e o olhar dela observar  a sala por um momento, os belíssimos e nebulosos olhos azuis recaíram sobre os seus. Ela tombou um pouco a cabeça, mantendo os lábios bem fechados e aquela expressão um tanto quanto distante.

- Sr. Memphys...

Sua voz não era doce. Era como uma melodia que fazia curvas sinuosas, envolvente até seus ouvidos.

- Obrigada por me receber...

E ela continuava falando.

E você podia sentir o perfume de algo tentador, saboroso.

- Eu me chamo Lissandra Graysson.


Ergueu a mão na sua direção para cumprimenta-lo. 

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Re: Primeiro dia.

Mensagem  Sean Memphys em Sab 04 Jul 2015, 18:18

As mãos voavam pelo papel canson.

A textura gastava bastante o grafite e as canetas, mas era agradável para desenhar.

Assim como a textura.

Havia apenas mais algumas horas até o final do turno.

E passar a manhã ali, desenhando, o tinha feito finalmente colocar as ideias em ordem.

A música clássica que tocava no celular inundava o ambiente. O celular estava acoplado a alto-falantes bluetooth. Um acessório que o antigo dono da sala havia deixado ali, e que Sean também havia adorado.

O cenário com Olivia, retratada com perfeição no papel, banhada de sangue e órgãos espalhados pelo chão encerado. A cor fria do ginásio fazia o sangue todo saltar aos olhos de quem quer que visse a ilustração.

E então o telefone o fazia saltar.

Sean piscava com força algumas vezes, e o atendia no terceiro ou quarto toque.

- Claro, sem problemas… E pode me chamar de Sean, Anette – Ele respondia automaticamente.

Sean julgava completamente desnecessária a formalidade entre amigos do trabalho.

E com a amigável Anette, aquele pensamento saltava com força.

Antes dela entrar, Sean soltava os aros metálicos do caderno de desenho e tirava a folha com aquela ilustração específica. A rasgava bem no meio, para em seguida colocá-la na trituradora de papel.

Sem vestígios, era melhor assim.

E logo ela entrava.

A presença dela é… Intimidadora.

Não estou muito acostumado a lidar com pessoas assim.

Ao mesmo tempo em que ela passa uma imagem tão doce e delicada… Ela se porta como alguém forte e arredia.

Alguém que pode ser frágil e poderoso ao mesmo tempo.

Uma dualidade perfeita.

Suas roupas me diziam que ela tinha posses, o que me fazia questionar ela estar se tratando no hospital universitário, por melhor que fossem os profissionais dali.

Talvez procurasse por discrição...

Seu perfume era inebriante. E parecia casar-se perfeitamente com a impressão que ela me passava.

Era um misto de inocência e volúpia.

Seus traços tinham definição ímpar, com curvas e ângulos que nem Botticelli seria capaz de replicar.

De fato, sua aparência me remetia a seres angelicais. Um anjo esculpido a perfeição.

Mas seus olhos…

Eu cresci em ambientes com cores quentes: o fogo e o sangue, sempre tão corriqueiros na minha casa, devido aos surtos de meu pai. O marrom da terra o qual eu era constantemente jogado, quando ainda infante, também por meu pai.

Tons quentes e nada acolhedores.

Mas o azul de seus olhos pareciam explodir contra os meus. Uma tonalidade prata, tão perfurante quando o instrumento que marcou meu rosto.

E tão brilhante que parecia ofuscar meus pensamentos.

Em resumo, uma única palavra a descrevia com perfeição: Problema.

Dos grandes.

Preciso ser muito, muito cuidadoso com ela.


Sean sorria laconicamente, indicando uma das cadeiras de couro o qual ficavam bem ao centro da sala – Bom dia, Srta. Graysson… Prazer em conhecê-la. A música a incomoda? - Ele aproximava-se da mesa e a baixava muito, para que ela não passasse de uma música de fundo – Bach sempre me ajudou bastante, me sinto mais concentrado quando o ouço… Mas algumas pessoas o acham um tanto quanto deprimente – O sorriso dele se abria um pouco mais, conforme ele aproximava-se da cadeira em frente da dela.

Sean vestia-se bem, apesar da sua origem de classe media. Ele usava uma blusa de malha negra, com gola alta, que escondia seu pescoço por completo. Alem disso, usava uma jaqueta pesada, ao estilo aviador, na mesma tonalidade que sua blusa. Calças de sarja e sapatos sociais completavam a vestimenta.

O jaleco, bem comum entre os que clinicavam no DU, estava pendurado em um mancebo. A única coisa que mostrava que Sean estava ali para atendê-la era o crachá, preso na barra da jaqueta.

- Eu tenho o costume de gravar as sessões dos meus pacientes… Costumo repassá-las, para estudar melhor e talvez encontrar atalhos durante o tratamento. Só eu tenho acesso a essas gravações, afinal o sigilo entre eu e o paciente é algo sagrado… Mas só vou gravar caso você permita e não se sinta mal com isso. O gravador está aqui… - Ele o colocava na mesinha de centro, a princípio, desligado.

- Por onde deseja começar, Srta. Graysson? - Ele dizia, conforme reclinava-se na cadeira e entrelaçava os dedos em frente do rosto.

Sua voz era grave, o que a princípio não combinava muito com seu corpo alto e magro.

Mas conforme ele tomava a frente, conversando e tentando trazer Lissandra para si, a voz parecia combinar perfeitamente com seu rosto aquilino.

Os olhos, protegidos pelos óculos, permaneciam fixos na, tão incomum, paciente.

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Re: Primeiro dia.

Mensagem  NPCs - Apoio ao Mestre em Sab 04 Jul 2015, 18:49

Mal Lissandra se apresentou, seus ouvidos começaram a captar o som que vinha do amplificador. Os olhos ainda não deixavam transparecer absolutamente nada, mas o suave suspiro que ela soltou era um indicativo positivo.

A presença dela era bastante dúbia.

Era um desconfortável conforto ou um confortável desconforto estar diante dela.

Sempre o limite do que era bom e do que era ruim.

Talvez isso já indicasse uma coisa ou duas a respeito dela.

A primeira impressão que ela teve de Sean era o fato dele ser bem jovem. Mas quem era ela para julgar qualquer coisa?

Os passos dela ecoaram suavemente até uma das cadeiras indicadas por ele. Sentou-se, ajeitando a saia e juntando bastante as pernas, chegando a recolher os pés para debaixo da cadeira. Os olhos dela continuaram voltados para o amplificador.

E ela realmente sentia aquela musica.

O corpo ainda estava sob controle, mas a mente dela já divagava. Os olhos ficaram ainda mais turvos, mas ela piscou e voltou o olhar para Sean ao ouvir a voz dele.

O surpreendente tom de voz conseguiu se sobrepor ao do Cello.

Como ela podia esperar uma voz daquela vinda daquele rapaz? Sean tinha conseguido toda a atenção dela.


- O prazer é todo meu, Sr. Memphys. E eu aprecio a música, não é necessário eliminá-la do ambiente.

Mas ela não respondeu se a incomodava ou não.

E, de toda forma, a música fazia um com contexto com aquele ambiente.

Ouviu todas as instruções de Sean e não moveu nenhum musculo. Ela eventualmente piscava, mostrando que estava viva, mas a música continuava agindo sobre sua mente. Lissandra abaixou um pouco o olhar no final.

Por onde ela queria começar?

- Não vejo nenhum tipo de problema em grava a nossa consulta. Desde que eu realmente me torne sua paciente.

Os olhos dela voltaram-se para Sean, cravando aquela estranha neblina sobre ele.

- A primeira coisa que eu digo ao senhor é que...Eu tenho um problema e reconheço isso.

Meneou positivamente.

- Eu já procurei ajuda antes, mas o profissional não se adequou a mim. Parece que minha presença tornou-se um tanto quanto perturbadora. Confesso que não sei em qual sentido.

Arqueou uma das sobrancelhas, suspirando.


- O fato é que minha irmã possui contatos e me foi informado que o setor psiquiátrico era um dos melhores do país, inclusive por conta de sua discrição e profissionalismo. Não espero nada além disso, Sr. Memphys. E da cura, é claro. Se é que existe alguma.

Calou-se novamente e ergueu a cabeça.


- E o senhor? Por onde sugere que comecemos? 
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  Sean Memphys em Sab 04 Jul 2015, 19:20

Lentamente ele se inclinava na direção da mesa assim que ela autorizava a gravação.

O led azul do gravador se iluminava a tempo de captar a primeira frase dela.

“Eu tenho um problema e reconheço isso”.

Sean permanecia em silêncio, com os olhos fixos aos dela.

Compreendo perfeitamente porque sua presença tornou-se perturbadora.

No segundo em que você entrou eu me senti perturbado.

Eu não consigo ler você… Ao menos, não por completo.

É como se algo me impedisse.

Como se eu caminhasse de em pratos de uma balança, procurando por um equilíbrio impossível de ser alcançado.

Sinto um certo orgulho ao notar que ela gostou da música.

E ao mesmo tempo tenho uma boa impressão dela: Definitivamente, não era como a maioria das garotas com de sua idade, que torceriam o nariz e pediriam por Katty Perry.


Ele não falava nada, deixando com que Lissandra falasse à vontade.

Até que ela o indagava – Compreendo. Espero estar a altura de suas expectativas… E pode ter certeza de que fazer o que estiver ao meu alcance para ajudá-la. - Mais uma vez aquele pequeno sorriso, mínimo, que contrastava tanto com a expressão fechada dela – Vamos começar pelo mais importante: Você. Não entre diretamente no problema, seria um tanto frio, não acha? Me fale sobre tudo o que for relevante… Seus pais, infância, sua irmã… E finalmente seu problema. Por mais que você reconheça que tenha um problema, e isso é ótimo para começarmos… Não sei se você se sentiria a vontade para me falar sobre ele de modo seco, não acha? Não sou um médico que vai te receitar um remédio apenas. Preciso entendê-la, para só então ajudá-la… Por isso me mostre quem você é, Lissandra.

Por que eu a chamei pelo primeiro nome?

Cerro ligeiramente o olhar, na esperança de que ela não note.

Concentre-se, Sean. Você não está mais em Columbia onde só atuava com alguém por perto.

Está em Duxhill.

Sozinho.
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  NPCs - Apoio ao Mestre em Sab 04 Jul 2015, 20:46

Lissandra piscou lentamente ao ouvir sobre a frieza.

Poderíamos gastar todo tempo da consulta falando do lado bom de sermos diretos e frios. Mas aquilo não era uma conversa apenas dela. Sean também era testado. Afinal, se um paciente não gosta muito do psiquiatra, ele pode procurar por outro especialista, certo?

Ele queria entende-la.

Mas como poderia?

Provavelmente ele se sentiria perturbado muito antes de entrarem em assuntos apensos. Assuntos tão relevantes quanto o principal motivo para a sua consulta, mas ela que ela não confessaria para ninguém.

Nem para o padre.

E eis que ele diz o nome dela.

Lissandra piscou lentamente, de novo. E ficou alguns segundos – segundos demais! – encarando Sean nos olhos. Ultrapassava a barreira imposta pelas lentes e ia até a íris do pobre rapaz.


Por um segundo, ele poderia ver um pequeno sorriso no canto dos lábios dela. Ou talvez tivesse sido apenas espasmo muscular. Ou impressão.

Olhou para o gravador, esperou a musica repetir e focou os olhos em Sean.

- Meu nome é Lissandra Graysson e tenho 21 anos de idade completos. Tenho uma irmã gêmea chamada Dianna Graysson. Não sei quem é a mais velha.


Ela não se mexia enquanto simplesmente falava.

- Nós fomos adotadas quando tínhamos cinco meses de idade por uma viúva chamada Angelina Graysson. – E agora sim o sorriso apareceu por dois segundos. – Nossa mãe tinha perdido a familia num acidente terrível. Ela só não morreu porque não estava com eles na ocasião. E imagino quantas vezes ela deve ter desejado estar. Não é natural que uma mãe enterre os filhos. Ela tinha marido e dois filhos gêmeos de dez anos. Foi imprudência do motorista do caminhão.

Piscou abaixando um pouco o olhar.

- Mamãe era bibliotecária, funcionária publica do município e uma mulher muito temente à Deus. As pessoas tendem a procurar a religião pelo amor ou pela dor. Ela já era uma católica fervorosa, mas reencontrou o caminho depois de nos adotar. Ela costumava dizer que nós fomos o pequeno milagre dela...Dois milagres. Dois anjos...

As palavras saíram como um sussurro. E parecia que os lábios rubros dela se destacaram um pouco mais nesse instante.

- Nunca nos faltou nada. Eramos classe média. Sempre fomos muito inteligentes e as melhores alunas na escola. Minha irmã é uma verdadeira poeta, Sr. Memphys. E excelente em tudo o que faz. Eu sou uma melodia.

Tombou a cabeça.

- Sempre gostei de apreciar as artes, literatura, musica. Essas são minhas...

Paixões?

Não.

- Principais distrações.

Arqueou de leve uma das sobrancelhas.

- Crescemos. Minha irmã tinha uma mente afiada e conseguiu um empréstimo com um banco assim que completou a maioridade e começou a investir em ações. As ações renderam frutos e ela investiu em imóveis também. Descobrimos que nossa mãe estava doente um pouco depois disso. Minha irmã investiu em nossa mãe, mas nem todo o dinheiro do mundo pode reverter o inevitável.

Abaixou os olhos.

- Nós nos mudamos há dois anos para Boston. Estudamos em Harvard e minha irmã me deu um estabelecimento comercial. Transformei numa livraria que eu administro. É uma forma de homenagear minha mãe e de me sentir próxima dela, sim. Mas também porque é algo que me identifico. Ficar cercada de livros...


Olhou ao redor, vendo os livros que ele tinha no consultório.


- É ter o poder de abrir qualquer portal e viajar para outros mundos. Quem é que não gosta de viver outras vidas? 
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  Sean Memphys em Dom 05 Jul 2015, 09:44

Sean retribuía o olhar, por mais perfurante que fosse o olhar de Lissandra.

Ele precisava retribuí-lo.

E antes que o canto dos lábios dela tremulassem, em um resquício de sorriso… Os olhos dele pareciam antecipá-la. Milésimos de segundos antes daquele espasmo muscular, ou daquela impressão… Ele cerrava minimamente o olhar.

Um gesto tão mínimo quanto o dela, e que poderia passar tão inócuo quanto.

No mais ele apenas movimentava a cabeça vez ou outra, lhe dando indícios de que sua atenção estava voltada para ela.

Agora já tenho um bom norte.

A mãe é algo que a fragiliza. Por mais que ela tente esconder, ela passou a respirar de modo diferente ao falar sobre ela, além de desviar o olhar mais do que vinha fazendo.

A admiração pela irmã não é que ela faça questão de esconder.

Mas é muito pouco.

Ela esconde muita coisa… Nada mais natural.

A primeira impressão, que me assombrou pelos primeiros minutos, me remetendo a Olivia, se desfaz por completo.

E eu SEI que ela gostou que eu chamasse ela pelo nome. Consegui ler isso.

Essa dificuldade para interpretar ela é irritante.

E ao mesmo tempo excitante. Nunca conheci alguém que fosse tão desafiador assim.

Normalmente com um pouco de conversa eu já “sinto” qual é o problema.

Já com ela…


- Poesia e melodia. Vocês se completam – Ele concluía com um pequeno sorriso – Sinto muito por sua mãe, e adoraria visitar seu comércio. Também sou apaixonado por livros… Apesar desta sala ter sido recheada pelos outros que passaram aqui antes de mim, eu dei a sorte de compartilhar do mesmo gosto que meus antecessores. Mas realmente, poder viver outras vidas é fascinante… Só passa a tornar-se um problema quando vivemos mais estas vidas do que a nossa, utilizando esta saída como uma fuga constante – Ele baixava as mãos, respirando profundamente – Acredito que você tenha um pouco de dificuldades para dormir, não? Mas não creio que este seja o problema que a trouxe aqui… O que você vem enfrentando? - O tom de voz dele descia um tom, tornando-se mais grave, porém não menos sereno. Na verdade, era como se ele estivesse tomando cuidado ao aproximar-se mais.

Cuidado? Não… Respeito talvez seja a palavra adequada.

Era como se, no âmago das palavras, ele estivesse, educadamente, pedindo licença para aproximar-se mais.
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  NPCs - Apoio ao Mestre em Dom 05 Jul 2015, 14:11

Lissandra meneou positivamente.

Sim. Dianna e ela se complementavam, como a maioria dos gêmeos.

- Algumas culturas acreditam que os gêmeos são dois pedaços de uma mesma alma. Eles nunca são completos quando estão separados, funcionando melhor quando estão unidos. Outras culturas matavam e ainda matam um dos bebês por acreditarem que não é algo natural. O que é uma benção para uns, pode ser uma maldição para outros.

O tom dela era muito melodioso. Era quase que uma composição perfeita que dava vontade de ouvir mais, quase como um vicio.

Dava para entender porque Lyssa era uma mulher perturbadora. Você se viciava na presença dela.

E se ainda não acredita, passará a acreditar quando sentir necessidade de ouvir a gravação mais vezes do que seria lógico. Porque não são apenas as palavras que importam ali. É o modo como ela diz, seu tom. Sua presença, seu olhar nebuloso. Os olhos azuis que eram frios e contrastavam com os lábios vermelhos por conta do batom.


Você percebe isso?

Ela é uma mulher de cores frias. Mesmo o seu cabelo loiro não tem aquele tom dourado, é um tom mais fechado. A pele é alva, perfeita. Seu vestido é preto e branco e até mesmo os acessórios são prateados e escuros.

A cor está nos lábios dela.

Por onde ela envolve. Por onde ela se torna...melodia. E nos sapatos também. Porque são as pernas dela que a levam aonde a musica não alcança ou não se faz necessária.


Seria ela uma das musas da mitologia grega...?

Lissandra piscou lentamente de novo.

- O senhor será bem-vindo à minha livraria, Sr. Memphys. Existe uma área psiquiátrica bastante interessante, mesmo que não seja muito procurada. Também reservo uma parte para livros raros e posso encomendá-los par ao senhor, se assim o desejar.

E isso nem era propagando do próprio estabelecimento. Era algo que ela faria tranquilamente por qualquer pessoa.

- Acho que o problema está quando você acha que a ficção está no mundo real. Fantasia demais estraga...

Arqueou uma das sobrancelhas quando ouviu aquela pergunta sobre o sono. Ela não a respondeu de imediato, até porque ela não sentia quando dormia.

- Eu venho enfrentando o meu...reflexo.

Focou os olhos nos dele.

- Quando o senhor olha para o espelho, o senhor acha que vê o que todas as pessoas vêem ou enxerga algo que ninguém mais vê? É uma pergunta complicada, eu sei, mas...Eu poderia descrevê-lo agora ou até mesmo desenhá-lo e o senhor me diria se vê o mesmo que eu. Provavelmente sim...

Meneou positivamente.

- Mas se eu o senhor me descrevesse e me desenhasse, jamais seria o mesmo que eu.

Fechou os lábios de novo e cerrou os olhos.


- O senhor acredita no bem e no mal? 
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  Sean Memphys em Dom 05 Jul 2015, 22:35

A comparação com uma das musas da mitologia grega já tinha surgido na mente de Sean no momento em que ela entrou na sala.

Afinal, no momento em que colocou os olhos sobre ela, sua mente a associou as pinturas de Botticelli, que ficou famoso por retratar, alguns dizem que com perfeição ímpar, o nascimento de Vênus (Afrodite)… Emergindo das águas com a ajuda de Zéfiro.

Mas só os traços de Botticelli não faziam jus ao modo que Sean a via.

Era como se misturássemos os traços delicados e angulados de Botticelli com a perfeição de Caravaggio.

Para Sean, Lissandra era única. E todo aquele modo fechado e frio dela parecia avultar aquela sensação de singularidade.

E, por que não dizer, o amedrontava.

Ele nunca havia conhecido ninguém como ela.

Mas, independente do temor, Sean nunca recuaria ante a ela.

Talvez uma atitude um tanto quanto infeliz, já que tudo na loira gritava a mesma coisa: problemas. Problemas sem fim.

Problemas com identidade.

Está aí algo que eu nunca cogitaria. Ela aparenta ser tão… Segura.

Seu modo é tão naturalmente dominador que é difícil não submeter-se aos seus olhos.

Eu, nos segundos de silêncio que ela manteve, após eu chamá-la pelo primeiro nome, senti vontade de me desculpas.

E eu sei que se o tivesse feito, a teria perdido naquele momento. Ela nunca me respeitaria.

Alguém com esse tipo de comportamento… Com problemas de identidade?

Era, no mínimo, intrigante…


- Da mesma forma que gêmeos sempre intrigaram diversas culturas, o mesmo vale para os espelhos… - Ele arqueava minimamente a sobrancelha – E, talvez por coincidência, talvez até se relacione a sua pergunta. Principalmente os antigos religiosos acreditavam que espelhos não refletiam, e sim mostravam um portal para outras realidades e mundos… E isso é explorado até hoje, seja em contos infantis e filmes. Mas estou divagando… Sim, acredito no bem e no mal. Acredito que há duas forças, em constante embate, por interesses escusos aos nossos… Se não acreditasse, a meu ver… Este mundo não teria muito sentido. Essa dificuldade que você tem de se ver… Se remete a este conflito, Lissandra? - Mais uma vez ele usava o primeiro nome dela.

E como antes, não demontrava qualquer reação ao fazê-lo.

Talvez o fizesse simplesmente por ter gostado da reação que ela teve.

Era quase que um desafio.
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  NPCs - Apoio ao Mestre em Dom 05 Jul 2015, 23:11

Lissandra abaixou o olhar por um segundo, sem esboçar qualquer tipo de reação. Aparentemente havia um consentimento da parte dela para que você chama-la pelo primeiro nome. Na verdade, ela nem tinha se atentado para esse fato especifico.

Estava pensando que você realmente acredita no bem e no mal.

Você é um estudioso, um cientista da mente que acredita no oculto e isso é...interessante.

Pelo menos você preferiu deixar isso de lado, por hora.

A loira voltou a olhar fixamente para Sean. Ela respondia a todas as perguntas, mas sempre parecia escorregadia. É normal para uma primeira consulta, não é? Só deve ser dificil para alguém brilhante encontrar uma adversaria igualmente brilhante.

- Não é sempre que eu vejo a mesma coisa quando olho para o meu reflexo no espelho.

Você sabe por onde começar, Sean.

Dentro de uma Casa dos Espelhos.

E você está no centro dela, mas não é o seu reflexo que você vê. Todos os espelhos são planos e Lissandra está de pé, aparecendo em todos eles. Ela pisca lentamente para você e esboça um pequenino sorriso no canto dos lábios, da mesma forma como havia feito quando você dissera seu nome pela primeira vez.

Você sente uma agonia.

Porque apenas uma pessoa verdadeiramente narcisista iria gostar de se ver cercado de espelhos. Quantos portais eles formam? Quantos mundos eles levam?

Lissandra aparece em todos eles.

E sua voz sai num sussurro.

- Algumas vezes eu consigo ver o meu reflexo...

E o espelho à sua frente sumiu a imagem dela, mostrando a sua própria imagem.


- Plano. Como as pessoas geralmente me descrevem. Não conseguiria pentear os cabelos de forma correta ou me maquiar se isso fosse impossível.

No seu caso, você não conseguiria se barbear com perfeição, Sean.

- Mas...Quando eu menos espero, num piscar de olhos, é outra imagem que eu vejo. Meu corpo fica disforme. Sei que ainda sou uma pessoa, mas eu fico o triplo do meu tamanho, com a pele rompida, grandes bolhas, vasos, ferimentos abertos. Em meu rosto, em meu corpo. E eu sei que isso está relacionado com o que eu comi ou qualquer coisa do tipo.

E você via a mesma coisa que ela descrevia. Era como se fosse um dos cavaleiros do apocalipse em seu corpo: a Peste. 

Ela só não sabia que você via isso e sentia a mesma coisa que ela.

- É como ter pesadelos acordada. Porque eu me toco e sinto todos os ferimentos, toda a placa de gordura. A falha no cabelo.

Lissandra o tirou da casa dos espelhos e quando você a encarou de novo, ela tinha mudado de posição.

Cruzara uma das pernas, mas não de modo atrevido, o comprimento de sua saia não permitia isso.

As mãos estavam entrelaçadas e os olhos nebulosos dela abriram uma pequenina cortina para que você enxergasse um de seus problemas. Mas seria este o problema vital?


- Que tipo de portal que se abre para mim, Sr. Memphys? 
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  Sean Memphys em Seg 06 Jul 2015, 00:16

Ele mantinha os olhos fixos aos dela.

Acompanhando cada palavra.

A absorvendo.

Mais uma vez, o modo que ela havia se descrito era perfeito, aos olhos dele, pois a voz dela soava como uma...Melodia.

Era uma melodia que o fazia se perder.

Talvez indo… Longe demais.

Você era uma mistura de todo panteão, Lissandra?

Eu pisco… E vejo toda sala desaparecer.

Pisco novamente e as cadeiras desaparecem.

E me vejo de pé, diante de Lissandra.

A vejo sorrir daquele modo, e ao menos aqui…. Aqui… Eu não consigo não sorrir amplamente ao vê-la.

E então vem a agonia.

Era algo tão intenso que eu sentia minha garganta fechar-se.

Era difícil respirar.

Novamente a taquicardia.

Ouço sua voz, me dizendo sobre seu reflexo.

Tento me prender a ela, na esperança de que ela funcione como uma ancora e me tire dali.

Mas é inútil.

Ela continua falando… E então ele surge.

Imponente.

Agressivo.

Demoníaco.

A criatura me encarava como se eu fosse um intruso ali.

E de fato o era.

Eu podia sentir seu cheiro pútrido.

O cheiro era tão intenso que eu quase podia sentir o gosto dos liquidos purulentos que escorriam de suas chagas.

Meu estômago se revira.

Ao mesmo tempo em que ela dizia que estava relacionado ao que ela comia.

Aqueles olhos negros me fuzilavam.

Aquilo não era você, Lissandra. Não podia ser…

E então, tão repentinamente quanto surgiu, desaparecia.


Durante sua narrativa você notava algo estranho, Lissandra.

Os olhos dele, fixos aos seus, repentinamente...Perdiam o foco.

Mas você não tinha a sensação de que havia perdido ele.

Pelo contrário… Era como se ele estivesse enxergando além de suas palavras.

Como se estivesse enxergando dentro de você.

Mas logo ele tossia, e levava a mão aos lábios. Era possível ver a testa dele tornando-se mais iluminada, conforme o suor brotava dos poros.

Até a cor do rosto dele parecia desaparecer um pouco.

Após a tosse ele se recompunha – P-Perdão… - Ele desviava os olhos, e retirava os óculos, passando os dedos contra os olhos – Eu… Estou há muito tempo sem comer, e me senti um pouco mal. Mas já está passando… - Ele respirava profundamente, se levantando e caminhando até a mesa, ficando de costas para ela por alguns segundos. Apanhava um copo de água que já estava ali, e o virava lentamente – Desculpe por isso… - Ele dizia, recolocando os óculos e voltando-se para ela – Se é… Esta visão que você tem, Srta. Graysson, talvez não seja uma boa ideia ter curiosidade em relação a este portal. De qualquer modo, eu preciso de alguns exames… Você me relatou que pode tocar o que enxerga, e isso pode indicar algum tipo de patologia mais grave, o qual devemos olhar com mais calma – Ele apanhava um bloco com guias para exames, voltando para a cadeira e sentando-se novamente – Fora que você relacionar essa figura com algo que você comeu também me preocupa um pouco. Eu vou pedir para você uma tomografia e um exame de sangue padrão, ok?  Preciso que você faça esse exame o quanto antes, e marque retorno. Sei que provavelmente você tinha uma consulta agendada com outro especialista daqui, já que era meu primeiro dia e eu não tinha agenda ainda… Mas… - Novamente ele voltava o olhar até ela. Os fixando do mesmo modo que havia feito, no momento em que ela havia entrado na sala dele. O que tinha sido aquilo? Ele havia apenas passado mal? - Adoraria dar continuidade ao seu tratamento. Mas, caso você opte por ver o profissional o qual você tinha agendado, sugiro que faça os exames mesmo assim, para poupar algum tempo e dar a ele algum norte. - Ele estendia as duas guias, e retirava da jaqueta um cartão de visitas.

O hábito não o fazia notar que no momento ele só possuía cartão de visitar do FBI, com seu número de celular e não o do hospital com o telefone e ramal da sua sala, o qual sequer havia mandado fazer ainda.
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  NPCs - Apoio ao Mestre em Seg 06 Jul 2015, 13:33

Sim, ela tinha percebido isso, Sean.

Por que você acha que ela mudou de posição durante o tempo que o hipnotizou? Porque você não veria e não perceberia uma coisa...

Enquanto ela levava e percebia que você embarcava na descrição dela, a cortina de seus olhos foi ligeiramente aberta. E algo diferente surgiu. Era como se ela estivesse realmente gostando de te contar essas coisas e ver como você reagia. Por isso, quando você a viu sorrir nos espelhos de sua mente, não foi apenas sua imaginação.

Ela realmente sorriu.

Porque de uma forma que nem você consegue explicar, ela estava se divertindo.

Com o próprio sofrimento.

E com o seu.

Você não devia ter aceitado essa paciente, Sean. De verdade.

Porque ela era um desafio maior do que um ser humano pode suportar. Ela era, de fato, um desafio para si mesma. Sabia que precisava de ajuda, precisava de tratamento. Precisava sufocar esse prazer mórbido e sombrio que carrega dentro de si. Esse mal que está germinando.

O problema é que quando as pessoas tem uma empatia tão grande e se sentem perturbadas com a dor dela, isso alimenta 
seu monstro.


Talvez você que acabe precisando de uma terapia depois.

De certa forma, ela também voltou a si depois de descrever uma parte dos muitos portais que ela via. A expressão voltou à apatia de antes, fechando os lábios carnudos e rubros. Mantendo os olhos numa simetria perfeita, nem muito abertos, nem fechados.

Ergueu um pouco mais a cabeça quando você pediu perdão e disse que estava há muito tempo sem comer.

Então você realmente tinha visto.

Estava perturbado.

Ouviu todos os conselhos dele sem dizer uma única palavra. Novamente a neblina estava em seus olhos. Meneava positivamente, concordando, mas realmente ficou surpresa com o desejo que ela retornasse.

Ou nem tanto.

As pessoas gostavam de mistério. De perigo.

E ela tinha gostado de você.

Ou melhor. O lado oculto dela tinha gostado do que fizera a você.

Nesse instante, algo quebrou dentro dela. Como se seu coração trincasse ou começasse a vazar uma tinta negra. Ela tinha gostado de tirar sua estabilidade, sua segurança. De vê-lo com medo. Que pessoa horrível que ela era, não?


Esse demônio precisa ser controlado.


Sim, eu preciso, doce Lissandra... – A voz venenosa ecoou por sua cabeça. – Você sabe o que fazer...


Eu vou calá-lo.


Uhuum... – A voz quase ronronava.

Os olhos dela ficaram marejados apenas por um segundo, mas ela controlou a respiração e o encarou.


Eu não posso voltar...


Mas você VAI.

- Eu agradeço por tudo, Sr. Memphys...


Machuque esse menino...

Estendeu a mão na direção dele para pegar as receitas e guardou em sua bolsa.


Corrompa a alma dele. Deixe o coração dele negro como o seu. Ele sente, Lyssa...Ele sente...

Lissandra levantou-se com os movimentos calculados e o cumprimentou firmemente.


Diga, Lyssa...


Não, Lyssa. Não faça isso.


DIIGA!!!

- Eu vou remarcar o meu retorno tão logo faça os exames. Obrigada, Sr. Memphys.


Deus tenha misericórdia da sua alma...



Ou entregue-a para mim...
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Re: Primeiro dia.

Mensagem  Sean Memphys em Ter 07 Jul 2015, 22:44

Assim que ela saía, Sean sentava-se e suspirava.

O que raios foi aquilo?

Ele sentava-se na cadeira novamente e desligava o gravador.

Aquele lugar…

O que raios era aquele lugar?

Primeiro aquela menina, depois aquele homicídio… E agora essa garota.

Mais uma vez ele se livrava dos óculos e passava as mãos no rosto, ainda sentia a pele ligeiramente gelada.

Mas por outro lado, tinha gostado daquela garota. Do modo que ela se portava. Em como ela o afrontava.

Era um ótimo desafio.

Mesmo sentindo-se praticamente desesperado… Ele conseguia exibir um pequeno sorriso.

Sempre foi assim não, Sean?

Sempre se sentiu atraído por desafios.

Por fim ele se erguia e guardava o crachá, apanhando o gravador.

Tinha agora meio expediente no FBI.
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Re: Primeiro dia.

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